segunda-feira, agosto 21, 2006

2 semanas na França



Hoje faz duas semanas que já estou aqui na França. Como o tempo passa rápido, nossa!!!
Acho que é porque é muita coisa pra fazer aqui. Diversas tarefas, cuidar da casa, fazer super, acessar internet, estudar para o curso, ir no banco, preparar comida. Aqui tenho que tomar conta de tudo, mas acho que estou me saindo bem. Acreditem, meu quarto é bem organizado!!!

Na França tenho tido um pouco de dificuldade de me conectar na internet. Se não respondo emails na hora é porque o acesso é reduzido mesmo. E ainda tem a diferença de fuso horário, são 5 horas na frente. É dificil encontrar o pessoal online no msn. Mas vou me habituando com isso.

Por mais chique que seja estudar na França, aqui tenho que me virar bastante. Ando muito a pé, ainda não realizei o sonho da bicicleta própria. Muita gente anda de bicleta, a cidade tem muitas ciclovias, o terreno é plano, o que facilita muito. Já a tarefa de cozinhar não é tao facil como no Brasil. Na casa da Tia Faeca eu tinha todos os apetrechos necessários, vários temperos, tirava de letra. Aqui eu não tenho nada disso, a estrutura é bem mais simples, por exemplo, uso a panela que trouxe junto na mala e peço emprestado as panelas da Marguit. E porque não compro tudo logo??? Ok, estou esperando a visita da Shana, minha prima que está na França e que vai me fazer várias doações desde a bicicleta até o kit para cozinha.

A comida aqui eu não achei cara, muitas vezes encontramos produtos mais baratos que no Brasil. Acredito que sejam subsidiados pelo governo, não sei. Outra coisa barata são os vinhos. No super encontramos vinhos bons que variam de preço entre 1 e 5 euros. Os do vale do rio Loire são muito bons e não gasto mais que 2 euros por cada bouteille. Também tomei as cidras da região da Normandia e gostei bastante.

Hoje o clima está bem agradável. Calorzinho bom, nada exagerado. É engraçado, pois semana passada fez muito frio e até nevou nos picos das montanhas. Com o domingo ensolarado assim tive que aproveitar e fiz uma caminhada pela cidade com a Marguit. Show de bola!!

Vi umas placas sobre a Guerra da Argélia e me lembrei do Tio Jacques, meu tio francês, que tanto falava sobre essa guerra. Alias, toda hora me lembro dele, das coisas que ele dizia da França e como são exatamente como ele me descrevia.

No passeio peguei um solzinho e acabei ficando com a marca da camiseta hihihi. Sofrenilda quando pega sol fica com bronzeado de turista, normal... :S

Essa semana acabam minhas aulas no CUEF, o curso intensivo de francês que faço antes de começar o mestrado. Terça tenho a prova final e por isso tenho que estudar bastante. Depois do curso tenho duas semanas de folga. Quero organizar meu material para o curso do mestrado, ler alguns artigos... Sim, o objetivo na França é estudar, então nada de moleza!!!

Mas um pouquinho de diversão eu tenho direito, né?? Também sou filha de Deus. No fim de semana de 25 de agosto vou visitar a Simone em Lyon. É uma grande cidade da França, a segunda ou terceira, não tenho certeza, e fica bem perto de Grenoble. Eu e a Marguit vamos de TGV, o trem francês. Estou aproveitando a minha carte 12-25 que dá desconto nas passagens para quem tem entre 12 e 25 anos. :D

Estou aproveitando bastante aqui, cada dia é uma coisa nova para conhecer, cada vez fico mais encantada e curiosa pra conhecer as diferenças de estilo de vida. Acho que é importante ter a cabeça aberta e aceitar essas diferenças. Faz parte da caminhada...

Ao mesmo tempo sinto muita falta do Brasil, da familia e dos amigos. Sinto muito por isso pois não trouxe fotos. As vezes dá vontade de ficar olhando para o rostinho de cada pessoa que é importante para mim.


Beijos mil

quarta-feira, agosto 16, 2006

BIENVENUE A GRENOBLE





Cheguei as 10hs da manhã de segunda-feira na Gare de Grenoble. Aí tive que comprar o ticket do tramway, uma espécie de um tremzinho pequeno (que parece de brinquedo). Na fila, vendo que eu estava com dificuldades com as malas, um casal se ofereceu para me ajudar a carregar uma delas. Muito gentil da parte deles. Conversei um pouquinho com eles e depois me desejaram um bon séjour à Grenoble.

Não sei se tive sorte, mas sempre encontrei pessoas muito educadas e dispostas a ajudar. Isso não é muito comum no Brasil, o que é uma pena.

Desci do tram na frente da minha residência, a Condillac. Aí tive que procurar a secretaria para pedir as chaves do quarto. Aproveitei e perguntei se poderia escolher um quarto ao lado do quarto da Marguit, que já tinha chegado em Grenoble 1 semana antes de mim. Consegui bem do lado e agora somos vizinhas.

Nossos quartos ficam bem na frente das toilettes e da cozinha, que são comunitárias. Sem problemas, estamos nos virando bem com isso. É uma questão de se habituar. O chuveiro é engraçado, a ducha é forte, mas de 10 em 10 segundos temos que pressionar um botão, senão ela para. Aqui a água custa caro, bem caro.
Na tarde que eu cheguei aqui fomos no super comprar alguma coisa. Eu tinha que comer, eram 16 hs e eu ainda só estava com o café da manhã.

Por enquanto ainda não comprei um frigobar para o meu quarto, mas achei um anuncio de um para vender a 20 euros. É bem barato, depois vou passar lá para ver se está em bom estado. Como faço para guardar comida? Estou usando provisóriamente uma prateleira do frigo da Marguit hihihii...

Quando eu cheguei aqui, fui até o CUEF - curso de francês intensivo durante todo o mês de agosto - para fazer o teste de nivelamento. A entrevista foi uma espécie de bate-papo descontraído. Quando ela perguntou se eu já lia revistas em francês, disse que lia a La vie, revista para a qual o Tio Jacques foi guia de alguns jornalistas franceses em Porto Alegre durante o Fórum Social Mundial. Ficaram amigos e ele acabou ganhando uma assinatura semanal. Eu acabei me beneficiando também, pois ao contar essa história a professora que fazia a entrevista comigo disse que já conhecia Porto Alegre, o Fórum...

Ela me colocou numa turma boa, nível 260, é um bom nível, tem poucos brasileiros e o ritmo das aulas é puxado. Temos que entregar exercícios todos os dias, são 4 horas por dia, todas as manhãs. A Universidade é bem moderna, temos laboratórios onde fazemos exercícios de escuta, cada aluno fica numa cabine individual e a professora numa outra cabine de frente pra gente, ouvimos os exercicios por fones de ouvido, respondemos pelo microfone. Nunca tinha visto nada parecido.

Espero estar bem preparada para quando começar o mestrado. Já sei que é um curso que exige um nível bom de francês e que vou ter que me esforçar bastante.

Aqui no Campus por enquanto só tem alunos estrangeiros fazendo o curso de língua. Os franceses estão de férias já que as aulas só começam em meados de setembro. Tem gente de tudo quanto é nacionalidade, mas sobressaem os asiáticos, os árabes, os alemães e claro, os brasileiros.

Mesmo aqui, com apenas 4 hs por dia de aula, não tive muito tempo nem disposição para grandes passeios. Primeira coisa, o fuso horário, somente me habituei com a diferença do fuso hj e já faz uma semana que estou na França. Tava sempre muito cansada e com dor no corpo por causa da viagem. Outra coisa é que eu tinha que resolver algumas burocracias, abrir conta no banco, mandar emails para a família e amigos... e isso toma muito tempo. De verdade! A parte de emails eu não me importo, adoro escrever, mas meu tempo de internet aqui é bem reduzido. Só tenho acesso na faculdade.

Quarta-feira, dia 09/08, a Angélica, uma brasileira que também vai estudar em Grenoble e já está aqui há mais tempo, organizou uma festa do Programme Grenoble-Brésil num bar chamado Loco Mosquito. Só música brasileira e o clima estava bem legal. Acabei conhecendo outros colegas que também vão fazer o mestrado. Mas a festa terminou cedo, à meia noite. Todo mundo tinha aula no outro dia. Hihihi

Hoje, sábado (12/08), fui no centro de Grenoble para passear. Tiramos algumas fotos, fomos num café. Muito bom poder observar com calma as pessoas, a paisagem. A cidade ainda está um pouco vazia porque é época de férias, mas em setembro chegam muitos estudantes do mundo inteiro.

segunda-feira, agosto 14, 2006

La Ville Lumiere

Esse era o último vôo, fiquei muito cansada desses aviões, de verdade!! Do meu lado sentou uma moça que me perguntou, do you speak english, spanish, french? Aí eu toda orgulhosa falei, oui, je parle français!! Enfim, colocaria em prática 1 ano de\n estudos de francês. Conversamos um pouco, ela me contou que tinha passado 1 mês na Bolívia de férias. Imaginei quem quer passar férias na Bolívia com tantos outros lugares, mas ela logo explicou que tinha uma amiga que morou em Paris, mas que era boliviana. Ela tinha gostado bastante da sua trip na América Latina. Eu contei dos meus projetos na França. No fim ela falou que eu já estava falando bem em francês, mas que aqui eu aprenderia a falar mais rápido. Sim, espero que sim! No aeroporto Charles de Gaulle tive que pedir informações também. Combinei com a Nise e com a Laura, minhas amigas que moram em Paris, de encontrá-las\n na estação Chatelet do RER. O RER é uma espécie de metrô. Achei as pessoas com quem eu conversei extremamente solícitas e educadas. Foi complicado sair do aeroporto, pegar o onibus até a estação do RER e depois subir no RER. Relembrando, carreguei duas malas que somavam 48kg mais a valise de mão com uns 4kg. Pensei em pedir ajuda pras gurias, pra elas irem até o Charles de Gaulle, mas não consegui usar o telefone com meu VISA. Tive que encarar eu mesma. A gente sempre dá um jeito no final, tb é clichê mas é a mais pura verdade. Pedindo mais algumas informações, achei fácil a estação Chatelet onde Nise e Laurinha estariam à\n minha espera. Fazia tempo que não falava pessoalmente com essas duas, ficamos amigas mais virtuais nestes últimos tempos. Elas não me deixaram mais carregar as malas, cada uma pegou uma e seguimos para o Foyer da Nise. Eu tinha até código de barras nas minhas mãos, estava podrinha, mal mantinha os olhos abertos e não conseguia mais formular frases coerentes. Mas foi o máximo colocar os pés pela primeira vez em solo europeu. Largamos as malas e fomos jantar num restaurante chinês. Depois compramos uma garrafa de vinho e fizemos o brinde que já tinhamos combinado na escadaria em frente à Praça da Bastilha. Por mais emocionada e feliz que eu estivesse, não aguentei muito tempo e pedi para ir pra casa dormir. Como ia passar o domingo com elas, podiamos conversar mais e passear no dia seguinte. Elas compreenderam bem e eu dormi, dormi muito!!

Esse era o último vôo, fiquei muito cansada desses aviões, de verdade!! Do meu lado sentou uma moça que me perguntou, do you speak english, spanish, french? Aí eu toda orgulhosa falei, oui, je parle français!! Enfim, colocaria em prática 1 ano de estudos de francês. Conversamos um pouco, ela me contou que tinha passado 1 mês na Bolívia de férias. Imaginei quem quer passar férias na Bolívia com tantos outros lugares, mas ela logo explicou que tinha uma amiga que morou em Paris, mas que era boliviana. Ela tinha gostado bastante da sua trip na América Latina. Eu contei dos meus projetos na França. No fim ela falou que eu já estava falando bem em francês, mas que aqui eu aprenderia a falar mais rápido. Sim, espero que sim!

No aeroporto Charles de Gaulle tive que pedir informações também. Combinei com a Nise e com a Laura, minhas amigas que moram em Paris, de encontrá-las na estação Chatelet do RER. O RER é uma espécie de metrô. Achei as pessoas com quem eu conversei extremamente solícitas e educadas. Foi complicado sair do aeroporto, pegar o onibus até a estação do RER e depois subir no RER. Relembrando, carreguei duas malas que somavam 48kg mais a valise de mão com uns 4kg. Pensei em pedir ajuda pras gurias, pra elas irem até o Charles de Gaulle, mas não consegui usar o telefone com meu VISA. Tive que encarar eu mesma. A gente sempre dá um jeito no final, tb é clichê mas é a mais pura verdade.

Pedindo mais algumas informações, achei fácil a estação Chatelet onde Nise e Laurinha estariam à minha espera. Fazia tempo que não falava pessoalmente com essas duas, ficamos amigas mais virtuais nestes últimos tempos. Elas não me deixaram mais carregar as malas, cada uma pegou uma e seguimos para o Foyer da Nise. Eu tinha até código de barras nas minhas mãos, estava podrinha, mal mantinha os olhos abertos e não conseguia mais formular frases coerentes. Mas foi o máximo colocar os pés pela primeira vez em solo europeu. Largamos as malas e fomos jantar num restaurante chinês. Depois compramos uma garrafa de vinho e fizemos o brinde que já tinhamos combinado na escadaria em frente à Praça da Bastilha. Por mais emocionada e feliz que eu estivesse, não aguentei muito tempo e pedi para ir pra casa dormir. Como ia passar o domingo com elas, podiamos conversar mais e passear no dia seguinte. Elas compreenderam bem e eu dormi, dormi muito!!
No dia seguinte, levantamos e fomos na Gare de Lyon comprar o bilhete de TGV para Grenoble, a cidade onde eu estou estudando. O TGV é um trem aqui da França que viaja muito rápido, significa train grand vitesse, ou seja, trem de alta velocidade. Nessa hora fiquei meio frustrada, queria eu mesma falar com o atendente, entender tudo, mas não conseguia compreender direito. A Nise acabou me ajudando, pois não escutava direito. As pessoas falam rápido aqui e meu ouvido ainda não estava acostumado, além de estar meio atordoada ainda. Em seguida fomos comer um crepe. Não tem nada a ver com o nosso crepe no Brasil. A massa é fininha, suave... Hmmm... Depois fomos dar um passeio na beira do Rio Sena. Tava um dia lindo, claro, ensolarado. A cidade cheia de turistas falando em todas as línguas. Paris é uma cidade verdadeiramente cosmopolita. E tudo é conservado, prédios antigos bem reformados com sacadinhas com flores nas janelas. Tudo é charmoso... Cafés, restaurantes... Achei tão bonitinho um restaurante que era dentro de um barco no Rio Sena. Era caríssimo, mas tinha musica, mesinhas com pequenos abajures em cima, flores, luzinhas... e só observar já era um regalo para os olhos."

No dia seguinte, levantamos e fomos na Gare de Lyon comprar o bilhete de TGV para Grenoble, a cidade onde eu estou estudando. O TGV é um trem aqui da França que viaja muito rápido, significa train grand vitesse, ou seja, trem de alta velocidade. Nessa hora fiquei meio frustrada, queria eu mesma falar com o atendente, entender tudo, mas não conseguia compreender direito. A Nise acabou me ajudando, pois não escutava direito. As pessoas falam rápido aqui e meu ouvido ainda não estava acostumado, além de estar meio atordoada ainda.

Em seguida fomos comer um crepe. Não tem nada a ver com o nosso crepe no Brasil. A massa é fininha, suave... Hmmm...
Depois fomos dar um passeio na beira do Rio Sena. Tava um dia lindo, claro, ensolarado. A cidade cheia de turistas falando em todas as línguas. Paris é uma cidade verdadeiramente cosmopolita. E tudo é conservado, prédios antigos bem reformados com sacadinhas com flores nas janelas. Tudo é charmoso... Cafés, restaurantes...

Achei tão bonitinho um restaurante que era dentro de um barco no Rio Sena. Era caríssimo, mas tinha musica, mesinhas com pequenos abajures em cima, flores, luzinhas... e só observar já era um regalo para os olhos.
Caminhei muito com as gurias e fomos até um parque (que eu não lembro o nome) entre o Museu do Louvre e o Arco do Triunfo. Ainda brinquei com elas e disse que parecia a Redenção. Claro que esse parque era mais bonito e muito maior do que a nossa Redença, mas tinha um estilo parecido. Ficamos até o entardecer e resolvemos tomar umas bières (cervejas) num pub que oferecia descontos até as 20:30. Nos divertíamos falando muita bobagem em português e sem ninguém entender. Muito bom!! Depois voltei eu e a Nise para o Foyer dela e preparei as coisas para ir para Grenoble as 6:50 da matina. Acordamos as 5:30 e depois saímos com as minhas malas rumo à Gare. A idéia da Nise era pegarmos o metrô mas preferia caminhar rápido com elas do que ter que subir e descer escadas. Fomos a pé!! Cheguei uns 10 min antes do trem partir. Aqui não se pode atrasar. O TGV não espera. O trem é muito confortável, até tirei uma soneca. Foram 3 horas de viagem.

Argentina – Europa : 12h

Minha primeira viagem para a Europa, agora sim eu estaria indo longe. Primeira viagem longa, primeira viagem em um avião tão grande... O avião tinha 400 lugares e como eu já esperava as poltronas eram apertadas. Ainda mais para mim, assim, um pouco altinha. Definitivamente está na hora de construirem aviões mais confortáveis a um preço módico. Primeira classe não dá pra bancar.

Ao contrário do que eu esperava, as aeromoças - ou aerovelhas, como a Marguit (minha amiga gaúcha aqui na França) costuma dizer - nos serviram bem. A comida que não era aquelas coisas. Apesar disso, estava muito contente de finalmente estar me aproximando do meu destino. No vôo fiz amizade com uma senhora de Porto Alegre que ia passar uns dias em Paris e com uma menina de Santa Rosa que ia passar 1 ano estudando na Dinamarca pelo Rotary. Claro que daí já falei que minha mãe e o Dionísio também são rotarianos e mostrei o chaveirinho que a mãe me deu de presente. Conversei bastante com elas, cada uma com planos diferentes, mas percebi que a Maísa (menina de Sta. Rosa) estava bem mais apreensiva do que eu. Ela tinha só 17 anos, ia morar na casa de uma família que ela ainda não conhecia e ainda ter que aprender o dinamarquês. Eu tava medrosa, mas depois me vi dando força pra ela, palavras de incentivo, tanto que meu medo acabou. Quando o avião pousou reparei numa coisa muito engraçada,\n todos os passageiros batiam palmas. Porque?? Porque chegamos vivos?? ",1]
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Caminhei, assisti uns três filmes, coloquei as pernas pra cima, tentei dormir, tomei dois copos de vinho, mas era impossível pegar no sono e descansar. Acredito que em parte isso se deve ao desconforto, mas a maior parte era a ansiedade mesmo.

Ao contrário do que eu esperava, as aeromoças - ou aerovelhas, como a Marguit (minha amiga gaúcha aqui na França) costuma dizer - nos serviram bem. A comida que não era aquelas coisas. Apesar disso, estava muito contente de finalmente estar me aproximando do meu destino. No vôo fiz amizade com uma senhora de Porto Alegre que ia passar uns dias em Paris e com uma menina de Santa Rosa que ia passar 1 ano estudando na Dinamarca pelo Rotary. Claro que daí já falei que minha mãe e o Dionísio também são rotarianos e mostrei o chaveirinho que a mãe me deu de presente.

Conversei bastante com elas, cada uma com planos diferentes, mas percebi que a Maísa (menina de Sta. Rosa) estava bem mais apreensiva do que eu. Ela tinha só 17 anos, ia morar na casa de uma família que ela ainda não conhecia e ainda ter que aprender o dinamarquês. Eu tava medrosa, mas depois me vi dando força pra ela, palavras de incentivo, tanto que meu medo acabou.

Quando o avião pousou reparei numa coisa muito engraçada, todos os passageiros batiam palmas. Porque?? Porque chegamos vivos??
Desembarcamos em Madrid as 7hs da manha de sábado e eu sem dormir nada. Me despedi de minhas amigas do avião. Desejamos “suerte” umas às outras e cada uma foi para seu destino. Resolvi ficar no aeroporto até a hora do meu vôo à Paris, 8 horas mais tarde. Nunca na minha vida tinha me sentido tão cansada. Queria me sentar em algum lugar para descansar, mas me perdi lá dentro. O aeroporto era imenso!!! Caminhei muito, liguei para o Brasil para avisar que estava bem e achei uma poltrona. As vezes levantava um pouco para esticar as pernas, fui numa lancheria e\n pedi um suco de laranja. Nesse momento senti a diferença no bolso. 3,30 euros, em torno de 10 reais, um copinho pequeno!!! O tempo que passei lá fiquei observando as pessoas. Uma coisa que percebi é que aqui todo mundo se veste como quer, não se importam nem um pouco com a opinião dos outros. Tinham pessoas de todos os jeitos, com chapéus estranhos, gurias com shortinhos micros ou com calças douradas, gente com cabelos com cortes muito estranhos e ninguém ficava olhando. Acho que a E.T. era eu. As 15:25 de sábado peguei o avião para Paris. LA VILLE LUMIERE ",1]
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Desembarcamos em Madrid as 7hs da manha de sábado e eu sem dormir nada. Me despedi de minhas amigas do avião. Desejamos “suerte” umas às outras e cada uma foi para seu destino. Resolvi ficar no aeroporto até a hora do meu vôo à Paris, 8 horas mais tarde. Nunca na minha vida tinha me sentido tão cansada. Queria me sentar em algum lugar para descansar, mas me perdi lá dentro. O aeroporto era imenso!!! Caminhei muito, liguei para o Brasil para avisar que estava bem e achei uma poltrona. As vezes levantava um pouco para esticar as pernas, fui numa lancheria e pedi um suco de laranja. Nesse momento senti a diferença no bolso. 3,30 euros, em torno de 10 reais, um copinho pequeno!!!

O tempo que passei lá fiquei observando as pessoas. Uma coisa que percebi é que aqui todo mundo se veste como quer, não se importam nem um pouco com a opinião dos outros. Tinham pessoas de todos os jeitos, com chapéus estranhos, gurias com shortinhos micros ou com calças douradas, gente com cabelos com cortes muito estranhos e ninguém ficava olhando. Acho que a E.T. era eu.As 15:25 de sábado peguei o avião para Paris.

Buenos Aires

Durante o vôo até Buenos Aires me senti triste. Sempre quando nos decidimos por uma coisa temos que abrir mão de outras. Isso é clichê, mas nesse momento foi muito profundo em mim. Abrir mão da família e dos amigos, do lugar que a gente conhece pra se arriscar no desconhecido pra construir um futuro profissional, para passar por uma experiência de mudança radical no estilo de vida... isso é de abalar as estruturas. Li num site sobre estudar na França que um dos pré-requisitos para vir para cá é ter amadurecimento emocional. Verdade!!!
Mas essa tristeza natural por causa da despedida em Porto Alegre passou. Meu vôo fez conexão em Buenos Aires e as Aerolineas me pagaram um hotel muito bom, Savoy. Faço propaganda porque me encantei com o atendimento. O quarto era excelente, o restaurante tb... Uma janta maravilhosa e o café da manhã superbe!! Tudo pago!! O que é melhor!!! Lá encontrei o Cris, namorado da minha amiga e ele mora lá por enquanto. Ele me levou pra conhecer um pouquinho de Buenos\n Aires. Achei muito bonita, mesmo à noite. Passeamos pelo bairro da Recoleta e depois fomos num bar muito show!! Era todo temático sobre o futebol, se não me engano o nome era Locos por el fútbol. Duas cervejas e eu tinha que voltar para o hotel. No dia seguinte pegava o vôo para Madrid. Era a última parada em terras conhecidas. ARGENTINA – EUROPA: 12 HORAS Minha primeira viagem para a Europa, agora sim eu estaria indo longe. Primeira viagem longa,\n primeira viagem em um avião tão grande... O avião tinha 400 lugares e como eu já esperava as poltronas eram apertadas. Ainda mais para mim, assim, um pouco altinha. Definitivamente está na hora de construirem aviões mais confortáveis a um preço módico. Primeira classe não dá pra bancar.


Mas essa tristeza natural por causa da despedida em Porto Alegre passou. Meu vôo fez conexão em Buenos Aires e as Aerolineas me pagaram um hotel muito bom, Savoy. Faço propaganda porque me encantei com o atendimento. O quarto era excelente, o restaurante tb... Uma janta maravilhosa e o café da manhã superbe!! Tudo pago!! O que é melhor!!! Lá encontrei o Cris, namorado da minha amiga e ele mora lá por enquanto. Ele me levou pra conhecer um pouquinho de Buenos Aires. Achei muito bonita, mesmo à noite. Passeamos pelo bairro da Recoleta e depois fomos num bar muito show!! Era todo temático sobre o futebol, se não me engano o nome era Locos por el fútbol. Duas cervejas e eu tinha que voltar para o hotel. No dia seguinte pegava o vôo para Madrid. Era a última parada em terras conhecidas.

A Partida

Bom, já estava na hora de contar as notícias da minha viagem para a França. Hoje faz uma semana que eu cheguei aqui e até que já estou bem ambientada com o fuso horário, são 5 horas a mais que no Brasil.

Minha última semana em Porto Alegre foi uma correria louca. Por mais que a gente se organize com antecedência, na última hora surgem milhões de coisas para resolver. Uma das coisas mais importantes para eu poder viajar era o visto do Consulado Francês em São Paulo. O problema é que eles não se importam muito contigo, que tu já está com a passagem comprada e que teus prazos são bem mais curtos que os prazos deles. Depois de insistir muito e de mandar mais papéis para agilizar a liberação do visto, na terça-feira (01/08) à meia noite estava eu e o Tio Jacques dentro de um táxi a Variglog para buscar o passaporte.

Cada dia era um problema super importante para resolver e meus nervos ficavam à flor da pele. Ainda bem que eu tive um apoio imenso da família e dos amigos. Nossa, nessas horas é que a gente se dá conta de como tem tantas pessoas torcendo por ti, pelo teu sucesso e que estarão por perto para segurar tua mão nos momentos mais difíceis.

Tive diversas despedidas em grupos diferentes, amigos, família... Foi muito importante essa parte também. Só que chegou uma hora, que como disse um amigo meu, que eu tinha que parar de me despedir e IR para a França. Eu não conseguia fazer a mala, deixei para o último minuto. Mas no fim deu tudo certo!! Na quinta de manhã eu\n e a Paula, minha prima super parceira, fomos pesar as malas no Zaffari pra verificar se não ia ter excesso de peso. Beleza, uma tinha 28 kg e a outra 20kg. Depois a família se reuniu no aeroporto para almoçar antes de eu embarcar. Eu estava bem tranquila, aparentemente. Logo depois a Déinha, minha amiga, tb apareceu por lá e não entendia como eu poderia estar tão calma. Pois é, eu parecia calma, mas quando chegou a hora, efetivamente de eu partir, foi como eu me desmanchasse por dentro. Derreti e foi uma choradeira só. Às vezes acho que é importante chorar, liberar as emoções, talvez se eu não tivesse feito isso poderia me\n sentir mal aqui. BUENOS AIRES Durante o vôo até Buenos Aires me senti triste. Sempre quando nos decidimos por uma coisa temos que abrir mão de outras. Isso é clichê, mas nesse momento foi muito profundo em mim. Abrir mão da família e dos amigos, do lugar que a gente conhece pra se arriscar no desconhecido pra construir um futuro profissional, para passar por uma experiência de mudança radical no estilo de vida... isso é de abalar as estruturas. Li\n num site sobre estudar na França que um dos pré-requisitos para vir para cá é ter amadurecimento emocional. Verdade!!!"

Tive diversas despedidas em grupos diferentes, amigos, família... Foi muito importante essa parte também. Só que chegou uma hora, que como disse um amigo meu, que eu tinha que parar de me despedir e IR para a França. Eu não conseguia fazer a mala, deixei para o último minuto. Mas no fim deu tudo certo!! Na quinta de manhã eu e a Paula, minha prima super parceira, fomos pesar as malas no Zaffari pra verificar se não ia ter excesso de peso. Beleza, uma tinha 28 kg e a outra 20kg.

Depois a família se reuniu no aeroporto para almoçar antes de eu embarcar. Eu estava bem tranquila, aparentemente. Logo depois a Déinha, minha amiga, tb apareceu por lá e não entendia como eu poderia estar tão calma. Pois é, eu parecia calma, mas quando chegou a hora, efetivamente de eu partir, foi como eu me desmanchasse por dentro. Derreti e foi uma choradeira só. Às vezes acho que é importante chorar, liberar as emoções, talvez se eu não tivesse feito isso poderia me sentir mal aqui.