domingo, setembro 16, 2007

Master Recherche: fini!

Fiquei tao feliz, mas tanto... Que sensaçao de alivio!!!!
Pois entao, eu vou contar o que aconteceu nesses ultimos tempos.

Estava terminando meu mémoire, o trabalho final do curso de mestrado que fiz aqui na França... Que sufoco... Passei o mês de agosto na angustia de terminar a dissertacao.
Claro que tive problemas, minha falta de confianca naquilo que escrevia era um deles. Eu escrevia 2, 3 paginas, relia e achava uma m... Sempre achava que nao estava bom. E a unica pessoa que poderia me dizer se era um trabalho de nivel ou nao para passar pela banca seria meu orientador (por mais que a minha mãe e meu namorado achassem bom). Entao, cadê ele? Pois é, fiquei dois meses sem conseguir contata-lo, nem por email, nem por telefone... Ele saiu de férias sem me avisar...
Bom faltavam dois dias para entregar o trabalho, e eu sem nenhum retorno... Desesperei!!! Achei sinceramente que nao iria terminar meu trabalho e que nao poderia entrega-lo sem a aprovacao do meu professor.
Foi ai que meu orientador me retornou e marcou uma reuniao. Conversamos, ele achou um bom trabalho, fez algumas correcoes, mas que no geral ele achava que era "um trabalho com boas ideias que mereciam ser aprofundadas numa tese". Saliento aqui que esse ultimo comentario me marcou muito... pra quem estava desesperada, foi o que me deu confianca pra continuar. Nao entreguei na data combinada, mas consegui um prazo de mais uma semana (para poder arrumar o que meu orientador tinha pedido). Foi uma semana corrida, mas com mais confianca o trabalho evoluiu bem!

Entao, entreguei o bendito "mémoire"! Feliz da vida, agora faltava so me preparar pra banca. Fui confiante (apesar de uma ansiedade natural nesses momentos de provacao).
Nessa semana de preparacao para a ultima etapa à finalizar (a banca), tive boas noticias, ganhei bolsa de doutorado, o diretor do lab de pesquisa do doutorado se interessou pelo meu trabalho, fui convidada a escrever um artigo numa revista brasileira sobre desenvolvimento...

Na sexta, 14, foi a banca! E passei!!
Foi dificil!! Muito!!! Eu assisti à outras bancas, e eram muito mais lights. Para comecar, a presenca de 4 professores (normalmente eram dois, no maximo três). Estavam la meu orientador, um professor convidado, o meu co-orientador e a o coordenador do curso.
Tinha 20 min pra falar, mas ultrapassei um pouco o tempo (logo eu que sou timida pra falar em publico). O que acontece é que me apaixonei pelo meu assunto, gostei muito de fazer esse trabalho e tinha muita coisa pra falar (meu tema é sobre a adocao de novas tecnologias de informacao e comunicacao nas pequenas e medias empresas da regiao Rhône-Alpes - falo tb sobre estratégia, desenvolvimento).
Em seguida, comecam as questoes dos profs: o primeiro, o prof convidado, muito gentil. Elogiou o trabalho, de boa qualidade ainda mais considerando que eu estou ha um ano na França. Colocou tres questoes que eu dei conta, mas que prometi aprofundar mais na tese. Depois quem fala? Meu co-orientador, o cara que me ajudou a fazer a pesquisa de campo com as empresas. Bom, ele criticou tudo... pincipalmente o estudo de campo, pois critiquei bastante as empresas que ele me indicou... contou ate 20 erros de frances - o que eu acho um absurdo, pois varios franceses leram e corrigiram meu trabalho.
Fiquei surpresa com essa reacao dura dele, pois ele deveria me ajudar e qualquer desacordo com os resultados do trabalho ele deveria ter me falado antes, nao na hora da banca. Mas como eu ja sei que a Universidade é campo de batalha de uma guerra de egos, percebi um certo exibicao da parte dele. Do tipo, "viram como eu sou critico? Sou tanto que até minha orientanda nao escapa".
Depois dele, nao foi nada tao dificil... respondi tudo e no fim, meu orientador me defendeu ( e ainda criticou as criticas desse co-orientador de mal com a vida)!!
Apesar de alguns ferimentos, estava viva... Sai da sala para eles fazerem a avaliacao... Foi ai que me dei conta, estava ofegante, parecia que nao estava respirando durante toda a apresentacao.
Voltei, e sentei para ouvir o que eles tinham à dizer. Alguns detalhes a melhorar, alguns pontos positivos e que eu seria aceita na tese pois era um trabalho "prometteur", que tinha futuro.
Depois quando o coordenador comecou a falar da minha trajetoria na França, minha evolucao no curso de Master.... e que ingressaria na escola doutoral.. Que ele sabia das dificuldades para se adaptar, que para um estrangeiro a França é um mergulho numa piscina onde a agua pode ser bem gelada. Nao me segurei, escutando o que ele dizia, chorei. Queria me manter forte, mas isso me tocou muito...

E assim terminou minha aventura na IAE ( a escola de master ).