terça-feira, agosto 25, 2009

Breizh

Breizh quer dizer Bretanha na lingua dos bretões. Foi pra la que fui na semana passada atendendo um convite da Lina, prima do Tio Jacques. Demorei um pouco para ir por causa da distância de Grenoble e também o que torna a viagem mais cara.
Antes de chegar em Morlaix, cidade proxima de Roscoff onde mora a Lina, fiz um pitstop na casa da Laura Mastella em Paris. Rapidinho mesmo. Fomos num aniversario de uma amiga dela e tava bem legal. Dessa vez foi super corrido, realmente nao conseguimos nos falar direito.
Bom no dia seguinte, peguei o trem de Paris para Brest, mas eu descia um pouquinho antes em Morlaix. La me esperavam Lina, Eric (seu sobrinho) e Isabelle, a esposa. Claro que fui eu que tive que reconhecer a Lina, ela pensava que eu tinha uns 22 anos, enquanto que eu ja tenho 28. Uma senhorinha baixinha com o cabelo arrumado no salao, era ela!
Muitos abraços e entao embarcamos rumos a Roscoff, a diferença é que pegamos uma estrada mais longa que vai costeando o mar. Ali ja me deparei com paisagens lindas, sol, barcos...
Na mesma noite a familia inteira ia para um restaurante, ou seja umas 20 pessoas no minimo. Eu cheguei ja tive que me preparar para o jantar, mas nao sem brindar com champagne na casa da Lina. Ha 5 anos ela foi ao Brasil e quando nos convidava dizia champagne tous les jours. Eu nao sabia falar francês naquela época mas ja entendia essa frase simples.
Assim descobri in loco a fama dos bretões de bons bebedores. Mas eu nao acompanhei pois estava ainda cansada da viagem.
No dia seguinte passeei pela cidade, fui descobrir o que tinha para fazer em Roscoff, vi o velho porto, fui na centro de turismo, ainda meio friozinho e nublado... Mas quem diria, a tarde se abre um sol e chega a esquentar um pouquinho. Me fui para a praia, de bermuda, casaquinho e blusinha.. Nao tive coragem de entrar na agua, so molhei os pés.
A noite, tinha ma recepção na casa da Pauline e do Gwendal que ficava no mesmo terreno da casa da Lina. A Pauline é sobrinha da Lina. Bom, todo mundo foi pra la, tinha varias degustações de bolos da Bretanha, aperitivos, torradinhas.. Teve um que eu gostei muito que é uma ameixa espetada num palitinho e ao redor uma fatia de bacon, depois assa no forno. Especialemente para essa soirée, a Lina me pediu para preparar as famosas caipirinhas que ela tinha experimentado no Brasil, mas que nao conseguia fazer igual. Ela disse que tinha tudo, 1 garrafa de cachaça, gelo, açucar e dois limoes. Eu disse pra ela, com dois limoes nao temos como preparar para toda essa gente. Acho que deve ser por isso que a caipira dela nao deu certo. hehe
Sei que foi um sucessso, so que o pessoal bebia a caipirinha virando o copo, o que a gente no Brasil nao esta muito acostumado. Tinha tb levado uma garrafa de Chartreuse, um tipo de licor digestivo tipico da regiao de Grenoble. O detalhe é que a bebida tem 40% de alcool e o pessoal adorou. Talvez esse primeiro dia de descontraçao ao redor da bebida, tenha feito com que o pessoal se sentisse mais proximo, me perguntavam varias coisas sobre o Brasil, sobre o Tio Jacques, sobre a minha vinda na França... Foi uma noite de muitas conversas e risadas.
No dia seguinte eu e a Lina fomos na cidadezinha ao lado chamada Saint Pol. Ela é um pouco maior que Roscoff e atrai mais turistas. Naquele dia tinha uma feirinha com produtos artesanais tipicos, morangos, linguiças (as andouilles), alcachofras, cebolas, roupas, bolos.. de tudo um pouco... O legal de passear com a Lina é que cada canto, cada prédio ela conhecia a historia, explicava um pouco sobre as particularidades do lugar. Nao é a toa que ela também trabalha como guia turistica, ela faz visitas comentadas em Roscoff.
Era também dia de Transbaie, ou seja, a travessia da baia de Roscoff a nado. Tinha todo um esquema de segurança, barcos, salva-vidas, policiais, militares. Os competidores esperavam na areia e vinham varios barcos que os levavam até o outro lado da baia. Dai dada a partida eles tinham que percorrer 1km nadando na agua gelada, 17 graus. A Isabelle comprou colarzinhos havaianos pra quem quisesse torcer para o seu marido Eric que se aventurou nas aguas geladas. Não tenho certeza mas parece que ele chegou por ultimo hehehe
E naquela empolgaçao, um dia ensolarado eu resolvi que era hora de testar a agua. Nao tinha como evitar, demorei um pouco para me acostumar, mas depois fui, e nadei bastante. é a unica maneira de nao sentir frio é nadando ou se mexendo na agua. Me senti tao orgulhosa!!hehe
é necessario dizer que estar com a Lina é estar sempre com mil atividades, ela nao para nunca. Pois depois de tudo isso ela ja tinha organizado um jantar numa creperia com uma amiga dela. Foram as melhores crepes que ja provei, com geléia de cebola e as andouilles... Apos eu escolhi uma crepe doce de sobremesa, doce de leite com manteiga salgada hmmm. Muito bom. A curiosidade é que neste restaurante eu percebi que a cidra se bebe em xicaras grandes, estilo canecas.
Sempre com muitas atividades, resolvi fazer uma descoberta das redondezas de Roscoff. Peguei uma bici emprestada e me fui. Fiz todo o contorno da baia de bicicleta, é uma boa pedalada. Mas o mais impressionante é a vista que se tem da praia. Vi algumas praias desertas, vi outras sem agua, so com os barquinhos encalhados na areia, plantações de alcachofra e uma sensação de paz, de liberdade ao ver tudo isso. Na volta me perdi algumas vezes, mas nada grave, estava a tempo para almoçar com a Lina. Ela tinha me chamado para comer no restaurante com ela.
Porém, so tive tempo de tomar um banho e trocar de roupa e na pressa nem me arrumei. O tal restaurante era chiquérrimo, estava no Guide Michelin onde constam os melhores restaurantes da França. Que vergonha, eu estava de havaianas, naquele clima de praia mesmo. Mas o que ta feito, ta feito... fazer o que? Nao da pra se abalar.
A tarde aproveitei mais um dia de praia e banho de mar até umas 20h da noite. Além disso, muitos programas, muitos convites.. O que fazer quando cada membro da familia te convida para jantar? Ficava sem jeito de recusar, via que o pessoal era extremamente simpatico, mas nao da pra estar em todas, como diz a minha vò. Acabei indo a Carentec com o Eric e a Isabelle comer crepes olhando para o mar. Fiquei impressionada com o por do sol na praia, mas ja era de tardezinha e nao dava pra ficar do lado de fora do restaurante. Faz frio a noite. Na volta passamos por uma ilha, chamada Calotte. Na verdade ela so é ilha, ou seja cercada de agua, quando a maré ta alta, existe até uma estrada asfaltada para chegar até la de carro quando a maré desce. Passamos a noite, com a maré bem baixa e a sensação é muito estranha de se ver os barcos encalhados logo do lado da estrada. Ainda surpreendemos algumas raposas (nunca tinha visto!) caçando camaroes na areia umida. Lindo, lindo!
E finalmente o ultimo dia em Roscoff, amanheceu com chuva e temperatura de 12 graus. Brrr, tava até desanimada achando que iria passar o dia dentro de casa. Dai aproveitei para comprar souvenirs e cartoes para mandar para o Brasil. Ao meio dia o tempo começa a clarear, apesar do vento constante. Como tava meio friozinho ainda para ir para praia eu resolvi dar uma caminhada e conhecer o Jardim Exotico que fica numa colina a beira do mar. A vista que se tem la de cima é bem bonita, conseguimos ver varias praias, uma atras da outra numa linha de enseadas, sem falar das flores, da paisagem. Muitas eu ja conhecia, pois a maioria das espécies vinham do Hemisfério Sul, Brasil incluido obvio.
Depois dessa bela caminhada que durou a tarde inteira, era bem longinho (me arrependi de nao ter ido de bici) voltei cansada. Queria dormir na verdade, mas que nada, ainda tinha uma ultima festa para ir, na casa da Jane (ou Jajane, cmo eles a chamavam) a irma da Lina. Reuniu-se a familia inteira no seu jardim. Super simpatico, bons quitutes, peixes... Em clima de despedida peguei o email de cada um, ja prometi voltar nas proximas férias (com o Tito, logicamente). O pessoal ja estava querendo me convencer de fazer meu casamento em Roscoff assim todos poderiam ir.. hehe, mas quem falou em casamento? Nao fui eu.

sábado, agosto 01, 2009

"Se não entendemos a vida, como entender a morte?" Confuncio

A morte, sentimento de perda, de mãos atadas, peças de um jogo que não se entende muito bem as regras. Neste domingo perdi uma pessoa muito querida e na segunda-feira de novo. Parece que não podendo te dar um susto de uma vez so, o destino vai la e te prega a peça duas vezes para ver se tu resistes.

Meu tio, primo do pai, faleceu neste domingo. Não éramos parentes proximos, mas na minha estadia em Porto Alegre que durou exatos 6 anos, tivemos um contato semanal. Ia sempre jantar na casa da Tia Faeca no famoso encontro das terças à noite, foi um sobrinho super atencioso com a minha vò que era sua madrinha. O fato de eu estar longe não ajudou muito e por telefone senti todo o desespero da familia paterna que perdeu um ente tão querido, tão presente, afetivo e que de repente se foi sem ao menos se despedir. é o que acontece quando o coração decide parar.

Algumas horas mais tarde recebo outra noticia, minha tia, desta vez do lado da familia da mãe, faleceu. Não conseguia acreditar, como pode a morte chegar assim? Telefonei para minha prima que vinha de perder a mãe. Desta vez foi o câncer que atacou. Não deve ser facil, não consigo nem imaginar como reagiria se fosse eu, mas uma coisa é certa, minha prima demonstrou muita força. Pareceu que a mae dela ja a tinha preparado para quando isto acontecesse.

E eu aqui, acompanhando de longe, ligando, conversando, enviando emails para o Brasil para tentar estar um pouco mais presente.