Depois de uma semana bem estressante na faculdade, com direito a crises existenciais e algumas noites de choro e estudo ( se isso é possivel), pegamos o trem para Genebra, logo na divisa com a França. Minha primeira viagem internacional pela Europa, estava ao mesmo tempo cansada da vida de estudante e empolgada com a trip que nos aguardava.
Ja no trem, de manha cedinho, sentamos junto com uma senhora francesa muito simpatica. Eu que estava numa fase de odio aos franceses, mudei minha ideia ao conversar com ela, uma pessoa tao querida. Estava achando os franceses tao chatos, tao egoistas e nem ai para os outros, sobretudo se tu és um estrangeiro. Estava me sentindo um pouco um peixe fora d'agua, nao me sentia acolhida aqui, mas ao passar quase duas horas numa conversa tao agradavel, fiquei mais relax e nao generalizei mais. Ela ia passar o Natal em Genebra com sua familia e nos deu dicas sobre a Suiça e até algumas liçoes de ski. Sim, em janeiro quero esquiar pela primeira vez e antes de falar com ela nao tinha a menor ideia de alguma tecnica para isso. O importante é saber freiar!!!
Ja entrei no pais vizinho num outro astral. Beleza!!! A vida pode ser boa também!!!
La Noemia nos aguardava na gare. Deixamos as malas e fomos dar um passeio por la, vi o lago, tirei algumas fotos, comprei os francos suiços. Grande surpresa, antes de viajar nao sabia que a Suiça nao fazia parte da Uniao Europeia e por isso eles tem sua propria moeda ao inves do euro. Outras coisas legais sobre a Suiça: eles falam quatro linguas dependendo da regiao, o alemao, o frances, o italiano e o romanche, esta ultima é bem antiga e é uma mistura de varias linguas mas é falado por uma pequena parte da populaçao. Aprendi uma palavra em romanche: Bondi (bom dia), facil, ne?
Principais souvenirs, todo mundo sabe, mas tem por tudo la: chocolates (deliciosos), canivetes e relogios (logico!)
Chega de abobrinha e voltando ao assunto... passei um frio, um frio, o vento que vinha do lago era cortante, nao aguentei ficar muito tempo la. So deu para tirar a foto ao lado de um barco e ver os patinhos e cisnes, depois me dei por satisfeita. hihihih

Dai a a fome começou a bater e... tivemos a péssima ideia de almoçar num restaurante tailandes. Tem muitos restaurantes asiaticos com preços razoavelmente acessiveis, ainda mais aquele restaurante que ia servir peixe no prato do dia, estava louca por um peixe. Pedimos e veio um prato com arroz e pimenta com peixe. Extremamente picante, paprika, pimenta e qualquer outro tempero, mas nao dava pra sentir outro gosto a nao ser o da pimenta. Eu corajosa, consegui comer e fiquei com os labios dormentes, mas Bartira deixou o prato quase intacto. Essa historia de comer num lugar sem conhecer nao deu muito certo.
Mais voltinhas pela cidade e a noite pegamos o trem para Berna. Trem chique, como nao podia deixar de ser, estavamos na Suiça, ele tinha dois andares e logico que nos fomos para o segundo andar hihihi. Apesar da confusao no inicio para subir as malas pelas escadinhas e pelos corredores estreitos a viagem passou rapido.
Em Berna pegamos outro trem até a o bairro da nossa anfitria, o nome era algo que terminava em “dorf”. Berna faz parte da Suiça alemã e por isso, tudo é em alemão, as pessoas falam alemão, parecem alemães, a arquitetura é em estilo alemão e eu me senti a pessoa mais analfabeta da face da terra.
E um contraste, parece outro pais mesmo. E la é tudo muito organizado, por exemplo, os trens nunca atrasam a não ser em caso de alguma catastrofe e eu acho que nem por isso, os suiços sao extremamente pontuais, levam isso ao pé da letra. Outro ponto interessante que achei é a questao do lixo, as pessoas pagam para colocar o lixo na rua pra ser recolhido. Custa dois francos suiços cada saco com a etiqueta. Além disso, o lixo é reciclado, mas não como eu pensava, la eles são muito mais metodicos. Existe lixo para garrafas verdes, marrons, brancas, lixo para garrafas de plastico que devem estar sem a tampa fechada, lixo para papel, lixo organico ( que eu acho que deve ter algumas subclassificacoes que eu nao tive tempo de aprender). São muito certinhos? Concordo, mas eles estão certos nessa preocupação com o meio ambiente. Parabéns!
Bom, voltando a nossa chegada em Berna. Nelly, a anfitria amiga de Noemia foi muito receptiva, me senti praticamente em “casa”. Ela mora num belo e grande apartamento, e eu nao estava mais acostumada com isso, tive impressao de que era tudo muito grande, considerando que eu moro num quarto de residência universitaria bem pequeno. Minha noçao de espaço mudou depois de alguns meses na França hihihi. Na casa dela estavam uma cunhada, os dois filhos pequenos e nos. Largamos as coisas no quarto (que maravilha, uma casa com quartos, sala, cozinha e banheiro!!!!) e depois ficamos de papo até altas horas da madrugada.
Nelly é brasileira também e ja esta na Suiça ha uns 15 anos.
No dia seguinte, ela pediu para seus filhos sairem comigo e com Bartira, as unicas que nao conheciam Berna ainda, para nos mostrarem os lugares tipicos da cidade. Berna nao é grande, mas é muito simpatica. Tem uns ares fortes da Alemanha, com igrejas catolicas e protestantes que nao sao tao ricas em detalhes como as que eu conheci na França mas que sao bem tipicas de la, nao sei como explicar, algo mais “austero” se posso dizer assim. Ainda tirei fotos na frente do Banco Nacional da Suiça, da vista do rio Aar e da ponte que era “magnifique”!

O clima de Natal estava contagiando a cidade, e foi la que “caiu a ficha” de que era quase Natal quando ouvi Noite Feliz na feirinha de Natal. Essas feirinhas sao bem tipicas, eles chamam em frances Marché de Noël, mas la era um outro nome em alemao que eu também não me lembro hihihi. Tem varias coisas pra comprar, artesanato, presentinhos, souvenirs, comidas e vinho quente, mas para as crianças tinha uma bebida quente a base de maçã e que nao era alcoolica. Eu experimentei o famoso vinho quente, pois estava congelando, em resumo é o nosso quentão, mas nao leva cachaça junto como em alguns lugares. Gostei mais do quentão suiço!
Vimos ainda os famosos relogios, tem varios espalhados por Berna (justificada agora a pontualidade deles), eles sao bem grandes em torres. Muito bonitinhos e cada um é diferente do outro. Vale a pena.
Clima natalino, mas sem dinheiro para comprar presentes. Sempre lembrando que a Suiça é um exagero de cara, mas para nao dizer que nao comprei nada, mandarei cartoes postais para o Brasil, aguardem belas imagens!!Ah, detalhe, como me comuniquei com a vendedora??? Hahaha Primeiro, sondei os filhos de Nelly para saber qual lingua utilizar com a senhora, pois alemao estava totalmente descartado. Meu alemao se resume à Bitte (por favor) e Danke (obrigada). Me restavam duas escolhas, ingles ou francês. Dai seu filho analisou a situaçao e disse: considerando idade dela, acho que ela vai saber melhor o francês, pois nas escolas é a segunda lingua. Acho que o inglês é mais para as pessoas mais jovens. Batata! Ela falou qualquer coisa em alemao e eu continuei com o meu frances, ela entendeu tudo e ainda disse merci! Voilà, me senti tao vitoriosa de estabelecer contatos com os habitantes de la!!!
No dia seguinte preparativos para a noite de Natal, ainda uma tentativa de comprar alguma coisa por la, fomos no centro de novo, mas os preços eram desanimadores. Acho que além da Suiça ser cara normalmente, durante o Natal os produtos sao mais caros ainda. Fazer o que, vida de estudante é assim mesmo. Ao menos demos uma volta pela cidade.
A noite, de volta para casa, a ceia quase pronta, os convidados chegando... Sentia um clima meio familia, muito legal.
Me arrumei e a surpresa, a irma de Nelly tem um buffet, isso significa que os pratos eram maravilhosos. Mesa linda, salada de entrada, depois peru, varios pratos de batatas (o prato tipico de quase toda Europa) e as sobremesas... Mousse de limao, morango, bolo de chocolate, pudim... Sem duvida ganhei alguns quilos. Contando nao da pra descrever, era algo muito bom!!! Superbe!!!
Para acompanhar a comilança, para beber prosecco. Combinaçao perfeita... Tudo otimo num clima alto astral. Depois da ceia, colocamos DVD da Ivete Sangalo e rolou a festa. Todo mundo dançando, adultos e crianças. Me diverti bastante, mesmo sem ter saido pra “night”.
Na volta para Grenoble tivemos algumas surpresas. Trem Berna-Genebra (ok!), paisagens bonitas, lagos enormes, montanhas, vimos a neve recente(!), vaquinhas do chocolate Milka... Chegada em Genebra: ficamos fazendo hora, pois nosso trem saia so no fim da tarde. Chegando na estação, surpresa, viagem supprimé, isto é, nossa viagem com o querido tremzinho de volta a Grenoble tinha sido cancelada.
Calma, calma, nada de pânico!!! Encontrei outros brasileiros de Grenoble na mesma situação, Chico e um casal de amigos e Martina, e a informaçao nos dada era a seguinte, pegar o proximo trem para Paris e descer em Culoz, depois até Chambery e la solicitar a conexao até Grenoble. Nao era nada muito concreto, mas a gente sempre sabe que no fim da tudo certo. Pegamos o TGV (Train Grande Vitesse - o trem super rapido da França) que ia a Paris (na primeira classe uhu!!!) e descemos em Culoz. Incrivel, nao tinha nada, parecia filme de faroeste e suas cidades fantasmas so uma plaquinha indicando em letras meio tortas: CULOZ. Nunca tinha ouvido falar desse lugar, era o "culoz" do mundo, mas conseguimos pegar o trem até Chambery e depois outro até Grenoble. Nao estava acreditando que ia dar certo, mas deu. Porém ter que subir e descer mala pesada em cada estacao, pegar elevador apertadinha com mala para passar de um lado ao outro requer toda uma organizacao e estratégia e é claro que os universitarios deram conta do recado.
:)
Um comentário:
Adorei seus comentarios e emoçoes!!!me identifiquei varias vezes...Quando vc falou da ceia e da casa com sala e cozinha principalmente!!é gostoso ter esse tipo de historia para contar...beijooooos! Feliz ano novo! Fabi
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